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A apneia obstrutiva do sono (AOS) afeta milhões de brasileiros, trazendo riscos graves como hipertensão, doenças cardiovasculares e redução da qualidade de vida. Tradicionalmente, o tratamento focava apenas nos aspectos físicos da condição, mas uma nova pesquisa revela que fisioterapeutas brasileiros estão cada vez mais adotando uma abordagem integral que considera não apenas o corpo, mas também os aspectos psicológicos e sociais dos pacientes.

O Que é o Modelo Biopsicossocial?

O modelo biopsicossocial propõe que a saúde e a doença não são determinadas apenas por fatores biológicos, mas também por aspectos psicológicos e contextos sociais. No caso da apneia do sono, isso significa considerar não só a obstrução das vias aéreas, mas também como o sono afeta as atividades diárias, as relações interpessoais e a participação social do paciente.

Um estudo publicado na revista Sleep and Breathing em 2025 investigou como fisioterapeutas brasileiros têm aplicado esse modelo na prática clínica, utilizando a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) como referência.

O Que o Estudo Descobriu?

Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará entrevistaram 72 fisioterapeutas que trabalham com distúrbios respiratórios do sono em todo o Brasil. Os resultados mostram uma transformação significativa na forma como esses profissionais avaliam seus pacientes:

Componentes mais valorizados na avaliação:

  • Atividade (73,6% dos fisioterapeutas): como o paciente realiza tarefas cotidianas
  • Funções do corpo (72,2%): funções fisiológicas e anatômicas
  • Fatores ambientais (70,8%): ambiente físico, social e de atitudes
  • Estruturas do corpo (65,3%): órgãos e suas partes
  • Participação (63,9%): envolvimento em situações da vida real

A maioria dos profissionais (98,6%) avalia a sonolência excessiva, e 80,3% investigam a qualidade do sono por meio de questionários subjetivos. Isso demonstra um cuidado que vai além do simples tratamento da obstrução mecânica.

O Gap Entre Avaliação e Tratamento

Um achado interessante do estudo foi a diferença entre o que é avaliado e o que é incluído nos objetivos terapêuticos. Componentes como atividade recreativa e relacionamentos íntimos são frequentemente avaliados, mas raramente fazem parte dos planos de tratamento. Isso sugere uma oportunidade de melhoria: além de identificar problemas, os fisioterapeutas podem trabalhar ativamente para restaurar a qualidade de vida em todos os seus aspectos.

Por Que Isso Importa?

A apneia do sono não é apenas um problema de roncar alto ou parar de respirar durante a noite. Ela afeta o humor, a produtividade no trabalho, a intimidade do casal e a disposição para atividades sociais. Ao adotar o modelo biopsicossocial, os fisioterapeutas brasileiros estão reconhecendo que o paciente é mais do que sua condição médica — é uma pessoa completa com necessidades emocionais, sociais e funcionais.

Conclusão Prática

Se você ou alguém próximo sofre de apneia do sono, procure um fisioterapeuta que adote uma abordagem integral. O tratamento deve incluir não apenas exercícios para fortalecer as vias aéreas, mas também considerar como a condição afeta seu dia a dia, seus relacionamentos e sua participação nas atividades que você ama. O estudo mostra que os fisioterapeutas brasileiros estão cada vez mais preparados para oferecer esse cuidado completo, embora ainda haja espaço para padronizar as avaliações e incluir mais aspectos sociais nos planos de tratamento.

Referência: Dos Santos JN, et al. Use of the biopsychosocial model of functioning in physiotherapeutic evaluation of patients with obstructive sleep apnea: a survey-based study. Sleep Breath. 2025.

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