Fisioterapeutas Brasileiros Lideram Prevenção de Quedas em Idosos, Mas Enfrentam Desafios com Pacientes
Introdução
As quedas representam uma das principais causas de morbidade e mortalidade entre idosos no Brasil e no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, quedas são o segundo maior fator de morte por lesão acidental, afetando milhões de pessoas acima de 60 anos anualmente.
No contexto do envelhecimento populacional brasileiro, onde o número de idosos cresce rapidamente, a prevenção de quedas tornou-se uma prioridade na saúde pública. Neste cenário, os fisioterapeutas desempenham um papel fundamental, sendo os profissionais mais capacitados para avaliar o risco de quedas e implementar intervenções preventivas.
Um estudo inovador publicado em 2025 mapeou pela primeira vez as práticas clínicas dos fisioterapeutas brasileiros na prevenção de quedas, revelando tanto avanços significativos quanto desafios importantes que precisam ser superados.
O Que o Estudo Descobriu
Pesquisadores realizaram uma pesquisa nacional online com 454 fisioterapeutas registrados no Brasil que atendem idosos. Os resultados demonstram um comprometimento impressionante desses profissionais com a prevenção de quedas:
Práticas Positivas
- Mais de 65% dos fisioterapeutas perguntam frequentemente aos pacientes sobre histórico de quedas
- Mais de 65% identificam e documentam fatores de risco de forma regular
- Mais de 65% implementam intervenções de prevenção de quedas consistentemente
- 97% realizam treinamento de equilíbrio
- 97% trabalham fortalecimento dos membros inferiores
- Testes validados como Timed Up and Go (43%) e Berg Balance Scale (27%) são amplamente utilizados
Principais Barreiras Identificadas
Apesar do engajamento, os fisioterapeutas enfrentam desafios significativos:
- Negação do risco por parte dos pacientes (48%)
- Baixa adesão às intervenções (50%)
- Relutância em relatar quedas (34%)
- Percepção de que quedas são inevitáveis (31%)
- Falta de conhecimento atualizado sobre diretrizes de prevenção (53% dos profissionais)
O estudo também revelou que fisioterapeutas que não trabalham especificamente com geriatria ou que não se sentem atualizados sobre evidências científicas têm menor probabilidade de implementar as melhores práticas de prevenção.
Por Que Isso Importa
As quedas em idosos têm impactos devastadores:
- Consequências físicas: fraturas, traumatismos cranianos, incapacidade funcional
- Consequências psicológicas: síndrome do pânico de quedas, medo de caminhar, isolamento social
- Consequências econômicas: altos custos hospitalares, necessidade de cuidadores, perda de autonomia
O estudo demonstra que os fisioterapeutas brasileiros estão na linha de frente do combate a esse problema de saúde pública, mas precisam de mais apoio e recursos para superar as barreiras enfrentadas.
A identificação de que muitos idosos negam o risco ou têm baixa adesão às intervenções é crucial. Isso indica que abordagens tradicionais podem não ser suficientes e que estratégias de mudança de comportamento devem ser incorporadas às práticas clínicas.
Conclusão Prática
Os resultados deste estudo apontam para ações concretas que podem salvar vidas e melhorar a qualidade de vida de milhões de idosos brasileiros:
Para Pacientes e Familiares:
- Não ignore quedas: mesmo quedas ‘leves’ devem ser relatadas ao fisioterapeuta
- Aceite o risco: reconhecer que existe risco de queda é o primeiro passo para prevenção
- Mantenha a adesão: exercícios de equilíbrio e fortalecimento precisam ser realizados regularmente
- Consulte um fisioterapeuta: profissionais especializados em geriatria podem avaliar seu risco de queda
Para Profissionais de Saúde:
- Invista em atualização: manter-se atualizado sobre diretrizes de prevenção de quedas melhora os resultados
- Use abordagens motivacionais: estratégias de mudança de comportamento podem aumentar a adesão dos pacientes
- Especialize-se em geriatria: fisioterapeutas com formação específica implementam melhores práticas
Referência: Dos Santos RB, et al. What are physical therapists doing to prevent falls in older adults in Brazil? – Findings from a nationwide survey. Braz J Phys Ther. 2025
Nota: Este artigo tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional. Consulte um fisioterapeuta especializado em geriatria para avaliação individual.




