Hidrocefalia Externa Benigna e Autismo: Uma Ligação Precoce?
Um estudo recente investigou a possível ligação entre a hidrocefalia externa benigna (HEB) e o autismo em crianças pequenas. A HEB é caracterizada por um acúmulo anormal de líquido cefalorraquidiano (LCR) no espaço subaracnóideo, com exames de neuroimagem normais, e geralmente se resolve espontaneamente. Pesquisas anteriores já haviam indicado que algumas crianças com autismo apresentam um aumento nos volumes de LCR extra-axial (LCR-EA).
O objetivo da pesquisa foi determinar se um subgrupo de crianças com autismo exibe tanto características qualitativas de HEB quanto aumentos quantitativos no volume de LCR-EA. Para isso, foram analisados exames clínicos de ressonância magnética (RM) cerebral de 136 crianças, com idades entre 5 e 99 meses, sendo 83 delas diagnosticadas com autismo. Os exames foram avaliados por neurorradiologistas para identificar sinais de HEB, e os volumes de LCR-EA e o volume cerebral total (VCT) foram quantificados em exames ponderados em T2 por meio de rotulagem manual. As medidas foram comparadas entre os grupos, levando em consideração a idade dos participantes.
Os resultados revelaram que os neurorradiologistas identificaram sinais de HEB em 33% das crianças autistas que foram submetidas aos exames antes dos 2 anos de idade, ou seja, antes do diagnóstico de autismo. As análises quantitativas de RM demonstraram que as crianças autistas nesse grupo etário apresentavam volumes de LCR-EA significativamente maiores em comparação com os controles. Essa descoberta sugere que a prevalência de HEB associada a aumentos quantificáveis de LCR-EA é notavelmente alta em crianças que posteriormente desenvolvem autismo, o que pode indicar uma etiologia específica do autismo envolvendo problemas transitórios na circulação do LCR no início da vida, com potencial impacto no neurodesenvolvimento a longo prazo. Estudos adicionais são necessários para confirmar e expandir essas descobertas.
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