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A xilazina, um agonista alfa-2 adrenérgico de ação central, tem se tornado um componente comum em misturas ilícitas de drogas, especialmente em combinação com o fentanil. No entanto, o perfil de abstinência associado à xilazina ainda é pouco compreendido, representando um desafio para profissionais de saúde. Um estudo de caso recente, publicado na revista Cureus, detalha o tratamento bem-sucedido de um paciente com abstinência de xilazina, oferecendo insights valiosos para o manejo dessa condição.

O paciente, um homem de 35 anos com histórico de uso de múltiplas substâncias, incluindo fentanil e xilazina, além de diagnóstico de transtorno bipolar, foi admitido na unidade de terapia intensiva (UTI) apresentando atividade semelhante a convulsões e respiração agônica. Inicialmente, os sintomas como hipertensão persistente, agitação e disfunção autonômica não correspondiam ao quadro típico de abstinência de opioides ou sepse. A abordagem inicial com sedativos e anti-hipertensivos múltiplos não se mostrou eficaz. A melhora da agitação foi observada com a administração de dexmedetomidina, enquanto o controle da pressão arterial e da função autonômica foi alcançado após a introdução de um adesivo transdérmico de clonidina, seguido pela transição para clonidina oral com redução gradual da dose.

A utilização complementar de gabapentina, lacosamida e quetiapina foi fundamental para controlar a agitação psicomotora e a dor generalizada do paciente. Após um período de tratamento intensivo e multidisciplinar, o paciente recuperou-se ao seu estado basal e recebeu alta para um programa de reabilitação ambulatorial. Este caso ressalta a importância do reconhecimento da abstinência de xilazina como uma síndrome tóxica independente, que exige uma terapia direcionada com agonistas alfa-2. Além disso, reforça a necessidade de uma colaboração multidisciplinar baseada em evidências para o controle dos sintomas e a estabilização clínica do paciente, demonstrando que o manejo adequado pode levar a resultados positivos mesmo em quadros complexos.

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