Alimentação Pró-Inflamatória em Adolescentes: Estudo Brasileiro Alerta para Riscos à Saúde
A adolescência é um período crucial de formação de hábitos alimentares que podem impactar toda a vida adulta. Uma pesquisa brasileira de grande porte, publicada na revista Pediatric Obesity e conduzida por Luana S Blaudt e colaboradores, revelou preocupantes associações entre padrões alimentares pró-inflamatórios e indicadores de saúde em adolescentes brasileiros. O estudo utilizou dados do Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA), uma das maiores pesquisas de saúde já realizadas no Brasil.
O Que o Estudo Descobriu
A pesquisa analisou dados de 36.956 adolescentes brasileiros de 12 a 17 anos e identificou um padrão alimentar claramente pró-inflamatório caracterizado por:
Alimentos que aumentam a inflamação:
- Refrigerantes e bebidas açucaradas
- Bolos e doces
- Queijos processados
- Gorduras refinadas
- Massas
- Salgadinhos industrializados
- Pães refinados
Alimentos que reduzem a inflamação:
- Arroz
- Preparos à base de leite
- Aves
- Peixes
- Feijão
Os resultados mostraram associações significativas entre o padrão alimentar pró-inflamatório e aumento do IMC (β = 0,07 kg/m²), glicemia de jejum (β = 0,20 mg/dL) e resistência à insulina (β = 0,03), mesmo após ajustes por sexo, idade, tipo de escola e qualidade do relato dietético.
Por Que Isso Importa
A inflamação crônica de baixo grau é um fator de risco para diversas doenças, incluindo diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e obesidade. O estudo revelou que as meninas apresentaram escores mais altos do padrão pró-inflamatório (0,08) comparado aos meninos (0,03), o que pode indicar diferenças de gênero nos hábitos alimentares ou nas respostas metabólicas.
Esta pesquisa é particularmente relevante porque utiliza dados de uma amostra representativa nacional, permitindo generalizações para toda a população adolescente brasileira.
Conclusão Prática
O estudo brasileiro traz recomendações claras para pais, educadores e profissionais de saúde:
Reduzir o consumo de:
- Refrigerantes e sucos industrializados
- Produtos de panificação refinada
- Salgadinhos e snacks processados
- Doces e bolos industrializados
Aumentar o consumo de:
- Feijão e outros leguminosos
- Peixes e aves
- Preparos caseiros à base de leite
- Arroz (preferencialmente integral)
A pesquisa foi financiada por agências brasileiras como FINEP, CNPq e CAPES, demonstrando o compromisso do país com a produção de conhecimento científico sobre saúde da população. Para famílias brasileiras, a mensagem é clara: pequenas mudanças nos hábitos alimentares podem ter impacto significativo na saúde metabólica dos adolescentes.
Referência: Blaudt LS, et al. Inflammatory Dietary Pattern Associated With Metabolic Biomarkers, Blood Pressure and Anthropometric Indicators in Brazilian Adolescents. Pediatr Obes. 2026 Jan.




