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Treinamento de Força para Fibromialgia: Estudo Brasileiro Revela Resultados Surpreendentes

A fibromialgia é uma condição crônica que afeta milhões de pessoas no Brasil, causando dor generalizada, fadiga e impactando significativamente a qualidade de vida. Uma das maiores dúvidas entre pacientes e profissionais de saúde é: qual tipo de exercício físico oferece os melhores resultados? Um ensaio clínico randomizado e controlado realizado no Brasil, liderado por André Pontes-Silva e publicado na revista Musculoskeletal Care, trouxe respostas importantes sobre essa questão.

O Que o Estudo Descobriu

A pesquisa brasileira comparou três abordagens diferentes de exercício físico ao longo de 24 sessões individuais (2 vezes por semana durante 3 meses):

  1. Treinamento de força progressivo: intensidade aumentada em 20% da força máxima a cada mês (50% no primeiro mês, 70% no segundo e 90% no terceiro)
  2. Treinamento de força constante: intensidade moderada mantida durante todo o tratamento
  3. Caminhada: exercício aeróbio de intensidade moderada

O estudo incluiu 66 pessoas com fibromialgia, randomizadas e avaliadas de forma cega. Os resultados foram surpreendentes: não houve diferenças significativas entre os grupos no impacto da fibromialgia como resultado primário em nenhum momento da avaliação.

Por Que Isso Importa

Esta descoberta é revolucionária para o tratamento da fibromialgia no Brasil. Embora todos os três tipos de exercício tenham demonstrado reduções significativas nos sintomas da fibromialgia quando comparados individualmente (dentro de cada grupo), nenhuma variável atingiu uma diferença clinicamente importante mínima nos testes padronizados.

O que isso significa na prática? Que o melhor exercício é aquele que o paciente consegue manter. Não existe uma abordagem única superior – o importante é a regularidade e a adesão ao programa de atividade física.

Conclusão Prática

O estudo brasileiro revelou um dado preocupante: a maioria dos participantes não aderiu ao tratamento após o período de acompanhamento sem exercícios supervisionados. Isso destaca a importância de:

  • Escolher atividades físicas que sejam prazerosas e sustentáveis a longo prazo
  • Buscar acompanhamento profissional (fisioterapeutas ou educadores físicos)
  • Estabelecer metas realistas e progressivas
  • Criar uma rotina que possa ser mantida mesmo após o término da supervisão profissional
  • Considerar que tanto exercícios de força quanto caminhada podem ser benéficos

A pesquisa foi registrada no Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos (ReBEC), reforçando o compromisso da ciência nacional com a produção de evidências de qualidade para a população brasileira.


Referência: Pontes-Silva A, et al. Strength Training Versus Walking on the Fibromyalgia Impact: A Blinded Randomised Controlled Trial. Musculoskeletal Care. 2025 Dec.

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