Transtornos do Sono em Crianças com Autismo: Guia Completo para Pais Baseado em Pesquisa Brasileira
O sono é um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento saudável de qualquer criança, mas para aquelas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), essa noite de descanso pode se tornar um verdadeiro desafio. Uma revisão sistemática recente publicada no Journal of Pediatrics (Rio J) por pesquisadores brasileiros, incluindo Camila Dos Santos El Halal e colaboradores, trouxe à luz informações cruciais sobre essa relação complexa entre sono e neurodesenvolvimento.
O Que o Estudo Descobriu
A pesquisa brasileira analisou extensivamente a literatura científica disponível no PubMed e revelou que transtornos do sono são significativamente mais prevalentes em crianças e adolescentes com condições de neurodesenvolvimento. O estudo identificou que o TEA está frequentemente associado a diversos tipos de distúrbios do sono:
- Insônia – dificuldade para iniciar ou manter o sono
- Distúrbios respiratórios do sono – incluindo apneia
- Alterações no ritmo circadiano – sono desregulado
- Distúrbios de movimento relacionados ao sono
- Parasomnias – como sonambulismo
- Hipersonolência central – sono excessivo durante o dia
Os mecanismos por trás dessas associações são multifatoriais, envolvendo componentes anatômicos, biológicos e comportamentais. A pesquisa também destacou que outras condições genéticas como Síndrome de Down, Síndrome de Smith-Magenis, Síndrome de Prader-Willi e mucopolissacaridose tipo II também apresentam predisposição a distúrbios do sono.
Por Que Isso Importa
A qualidade do sono afeta diretamente o desenvolvimento cognitivo, o comportamento diurno, a capacidade de aprendizagem e a regulação emocional das crianças. Para crianças com TEA, um sono inadequado pode intensificar características como irritabilidade, dificuldade de concentração e comportamentos desafiadores. Compreender essa relação permite que pais e profissionais de saúde adotem estratégias mais efetivas de manejo.
Conclusão Prática
O estudo enfatiza que a avaliação diagnóstica deve ser guiada pela suspeita clínica e tipicamente envolve uma análise histórica completa, diários do sono, questionários padronizados e, quando indicado, procedimentos diagnósticos adicionais. Para pais de crianças com TEA, é fundamental:
- Manter uma rotina consistente de sono
- Observar padrões de sono e documentar alterações
- Buscar avaliação especializada quando necessário
- Considerar intervenções comportamentais específicas
- Trabalhar em conjunto com pediatras e especialistas em sono
A pesquisa brasileira reforça que o entendimento aprofundado dos distúrbios do sono mais comuns e a implementação de estratégias diagnósticas direcionadas são essenciais para o manejo clínico apropriado e para melhorar os resultados de longo prazo nessa população.
Referência: El Halal CDS, et al. Sleep disorder assessment in children and adolescents with neurodevelopmental disorders. J Pediatr (Rio J). 2025.




