Terapia Ocupacional com Integração Sensorial de Ayres: Estudo Comprova Eficácia para Crianças Autistas
Resumo acessível:
Uma pesquisa publicada em agosto de 2025 na revista Autism Research trouxe resultados importantes para famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O estudo comparou três abordagens: Terapia Ocupacional usando Integração Sensorial de Ayres (OT-ASI), Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e um grupo sem tratamento específico.
Os resultados mostraram que tanto a OT-ASI quanto a ABA foram eficazes em melhorar as habilidades de vida diária das crianças autistas, como se vestir, tomar banho, escovar os dentes e interagir socialmente. Ambos os tratamentos também ajudaram as crianças a atingirem metas individuais definidas pelos pais, como melhorar a tolerância a sons, aumentar o contato visual ou participar de atividades em grupo.
A pesquisa envolveu 30 sessões de uma hora cada, realizadas ao longo de várias semanas. As crianças foram avaliadas antes e depois do tratamento usando escalas padronizadas que medem habilidades de vida diária e o nível de alcance das metas individuais.
O que torna esse estudo especialmente relevante é que ele demonstra que a Terapia Ocupacional com Integração Sensorial de Ayres — uma abordagem que trabalha as dificuldades sensoriais que afetam o processamento de informações do corpo e do ambiente — pode trazer benefícios comparáveis aos da ABA, que é considerada o tratamento mais recomendado para autismo.
Isso significa que famílias têm mais uma opção terapêutica baseada em evidências científicas para ajudar seus filhos a desenvolverem habilidades essenciais para o dia a dia.
Introdução: Entendendo o Desafio Sensorial no Autismo
Crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) frequentemente enfrentam desafios sensoriais que afetam profundamente sua capacidade de participar das atividades diárias. Algumas são hipersensíveis — sentem dor com sons que outros não notam, recusam certas texturas de alimentos ou roupas, ou ficam sobrecarregadas em ambientes movimentados. Outras são hipossensíveis — parecem não sentir dor, buscam movimento constante ou têm dificuldade de perceber onde seu corpo está no espaço.
Essas diferenças no processamento sensorial não são “comportamentos de birra” ou teimosia. São respostas reais do sistema nervoso que dificultam desde tarefas básicas de autocuidado até interações sociais e aprendizado escolar.
O Que o Estudo Descobriu
A pesquisa publicada na Autism Research em agosto de 2025 comparou três grupos de crianças autistas: um que recebeu Terapia Ocupacional com Integração Sensorial de Ayres (OT-ASI), outro que fez Análise do Comportamento Aplicada (ABA), e um terceiro grupo que não recebeu tratamento específico durante o período do estudo.
Cada criança participou de 30 sessões de uma hora. Os resultados foram claros:
Melhoria nas metas individuais: Ambos os grupos de tratamento (OT-ASI e ABA) mostraram ganhos significativos em metas personalizadas definidas pelos pais. Isso incluiu desde aprender a usar o banheiro sozinho até participar de brincadeiras com outras crianças.
Habilidades de vida diária: As crianças melhoraram em atividades como vestir-se, higiene pessoal, organização de tarefas e interação social. Embora as melhorias tenham sido observadas em ambos os grupos de tratamento, elas foram mais consistentes quando comparadas ao grupo sem tratamento.
Eficácia comparável: O estudo demonstrou que a OT-ASI pode produzir resultados semelhantes aos da ABA, ampliando as opções terapêuticas disponíveis para famílias.
Por Que Isso Importa
Este estudo é particularmente significativo por três razões:
1. Validação científica: A OT-ASI é uma abordagem que trabalha as bases neurológicas do processamento sensorial. Ter evidências de que ela funciona tão bem quanto a ABA — que já é amplamente reconhecida — fortalece a confiança de pais e profissionais nesta modalidade terapêutica.
2. Personalização do tratamento: Nem toda criança responde da mesma forma a todos os tratamentos. Ter opções baseadas em evidências permite que famílias e equipes terapêuticas escolham a abordagem que melhor se adapta às necessidades específicas de cada criança.
3. Foco na qualidade de vida: Diferente de abordagens que focam apenas em reduzir comportamentos considerados “problemáticos”, a OT-ASI trabalha para melhorar a participação da criança nas atividades da vida diária — o que significa mais independência e bem-estar para toda a família.
Conclusão Prática: O Que Isso Significa para Famílias Brasileiras
Se você é pai ou mãe de uma criança com TEA, este estudo traz uma mensagem importante: existem múltiplas abordagens terapêuticas com respaldo científico que podem ajudar seu filho a desenvolver habilidades essenciais.
A Terapia Ocupacional com Integração Sensorial de Ayres pode ser especialmente indicada se sua criança:
- Tem dificuldades com sons, luzes, texturas ou movimentos
- Evita ou busca intensamente certas experiências sensoriais
- Tem dificuldade para se vestir, comer variedade de alimentos ou realizar higiene pessoal
- Mostra desafios de coordenação motora ou consciência corporal
- Tem dificuldade de atenção e concentração em atividades
O ideal é buscar uma avaliação com um terapeuta ocupacional especializado em integração sensorial, que poderá indicar se esta abordagem é adequada para seu filho. O estudo reforça que investir em terapias baseadas em evidências faz diferença real no desenvolvimento das crianças autistas.
Referência: Schaaf RC, et al. A Comparative Trial of Occupational Therapy Using Ayres Sensory Integration, Applied Behavior Analysis, and No Treatment. Autism Res. 2025 Aug 15.




