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TEA no Brasil: Por Que 1 em 4 Crianças Só Recebem Diagnóstico na Emergência Psiquiátrica?

Descoberta Alarmante Revela Falhas no Acesso Precoce ao Diagnóstico de Autismo

Um estudo recém-publicado na renomada Journal of Autism and Developmental Disorders traz à tona uma realidade preocupante sobre o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil. A pesquisa, realizada em uma unidade de emergência psiquiátrica juvenil em uma cidade brasileira de renda média-alta, revelou que 23,2% das crianças e adolescentes com TEA receberam seu diagnóstico pela primeira vez justamente em um serviço de emergência — e não em consultas programadas de avaliação neurodesenvolvimental.

O Que o Estudo Descobriu

Durante um ano de análise, 112 pacientes com TEA foram atendidos na emergência psiquiátrica, representando 6,7% do total de visitas. A maioria era do sexo masculino (83%) com idade média de 10 anos. O dado mais preocupante: entre aqueles que receberam o diagnóstico pela primeira vez na emergência, a idade média era de quase 9 anos — um diagnóstico consideravelmente tardio, considerando que sinais de TEA podem ser identificados já nos primeiros 24 meses de vida.

As principais queixas que levaram as famílias à emergência foram agitação, agressividade e irritabilidade — comportamentos que frequentemente indicam crises de sobrecarga sensorial ou dificuldades de comunicação não atendidas. O estudo também identificou que crianças com TEA atendidas na emergência apresentavam taxas significativamente mais altas de deficiência intelectual e epilepsia comparadas ao grupo sem TEA.

Por Que Isso Importa Tanto

Este estudo expõe uma falha crítica no sistema de saúde brasileiro: a emergência psiquiátrica está se tornando a porta de entrada para o diagnóstico de TEA, especialmente em países de média renda onde o acesso precoce a cuidados especializados é limitado.

No Brasil, apesar da Lei nº 12.764/2012 garantir direitos às pessoas com TEA e a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA, a realidade prática mostra que muitas famílias enfrentam barreiras significativas:

  • Falta de profissionais capacitados para identificação precoce
  • Listas de espera extensas para avaliação especializada
  • Desinformação sobre sinais de alerta do autismo
  • Dificuldades logísticas e financeiras para acessar serviços

O diagnóstico tardio tem consequências sérias: perda do período crítico de neuroplasticidade infantil, maior sobrecarga para as famílias, e pior prognóstico para o desenvolvimento da criança. Quando o TEA só é identificado em uma crise na emergência, significa que anos de intervenção precoce foram perdidos.

O Papel dos Serviços de Emergência

Os autores do estudo destacam um ponto crucial: os serviços de emergência psiquiátrica desempenham um papel importante como potenciais pontos de entrada no sistema de saúde mental. No entanto, isso só funciona se os profissionais estiverem adequadamente treinados.

A pesquisa recomenda:

  1. Capacitação de profissionais de emergência em manejo de crises neurodesenvolvimentais
  2. Protocolos específicos para avaliação de TEA em contextos de emergência
  3. Orientação às famílias sobre como responder a emergências comportamentais
  4. Encaminhamento ágil para serviços especializados de acompanhamento

Conclusão Prática: O Que Famílias Podem Fazer

Se você é pai, mãe ou cuidador, este estigo reforça a importância de:

  • Conhecer os sinais de alerta do TEA: falta de contato visual, atraso na fala, comportamentos repetitivos, dificuldade de interação social
  • Buscar avaliação precoce: não espere uma crise para procurar ajuda
  • Documentar comportamentos: registre vídeos e anotações para mostrar aos profissionais
  • Exigir seus direitos: a Lei do TEA garante atendimento pelo SUS
  • Buscar apoio: associações de pais e terapeutas podem orientar sobre o caminho a seguir

A ciência continua avançando em nossa compreensão do autismo, mas estudos como este mostram que ainda há muito a fazer para garantir que todas as crianças recebam diagnóstico e intervenção no momento certo. A emergência não deve ser o primeiro lugar onde uma criança ouve sobre seu TEA.


Referência: Machado, M.C.L. et al. (2026). Factors Associated With Psychiatric Emergency Visits of Children and Adolescents With Autism Spectrum Disorder in an Upper-Middle-Income Country. Journal of Autism and Developmental Disorders.

Este artigo tem caráter informativo e não substitui orientação médica especializada. Se você suspeita de TEA em uma criança, procure um neuropediatra ou equipe multidisciplinar especializada.

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