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Fisioterapia + Terapia Ocupacional + Fonoaudiologia: Combinação Tripla Melhora Vida de Crianças com Autismo, Revela Estudo

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) afeta milhões de famílias ao redor do mundo, e no Brasil não é diferente. Caracterizado por desafios na comunicação social e comportamentos repetitivos e restritos, o autismo também impacta significativamente o desenvolvimento físico das crianças. Um estudo inovador publicado em 2025 no PubMed trouxe esperança para pais e profissionais: a combinação de fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia mostrou resultados extraordinários na melhora da qualidade de vida de crianças com TEA.

O Que o Estudo Descobriu

Realizado no Instituto de Educação Especial Proyash, em Bangladesh, o estudo clínico randomizado envolveu 70 crianças diagnosticadas com TEA, com idades entre 3 e 22 anos. Os pesquisadores dividiram os participantes em dois grupos: o Grupo A recebeu uma abordagem combinada de fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia, enquanto o Grupo B recebeu apenas as terapias ocupacional e fonoaudiologia tradicionais.

Após seis semanas de intervenção, os resultados foram impressionantes. As crianças que receberam a abordagem combinada (Grupo A) apresentaram melhorias significativas tanto nos aspectos físicos quanto comportamentais. A análise estatística revelou valores de p < 0,01 para ambas as medidas, indicando uma diferença altamente significativa entre os grupos. Já o Grupo B, que não recebeu fisioterapia, não apresentou melhorias estatisticamente relevantes.

Por Que Isso Importa

Esta pesquisa é especialmente relevante porque é o primeiro estudo a comparar diretamente a terapia convencional com uma abordagem que inclui fisioterapia no tratamento do autismo. Os achados comprovam o que muitos profissionais da saúde já suspeitavam: a fisioterapia desempenha um papel crucial no desenvolvimento global da criança autista.

As melhorias físicas observadas incluem maior capacidade aeróbica, força muscular aprimorada, melhor controle motor e condicionamento físico geral. No aspecto comportamental, as crianças apresentaram redução nos comportamentos estereotipados, como balançar e bater as mãos, além de maior facilidade na interação social e redução da agressividade.

No Brasil, onde o diagnóstico de autismo tem crescido exponencialmente — estima-se que 1 em cada 36 crianças seja afetada — esses resultados abrem novas perspectivas para o tratamento. A abordagem multidisciplinar, que já é recomendada por especialistas, agora conta com evidências científicas robustas que justificam sua implementação.

Conclusão Prática

Para pais e responsáveis, a mensagem é clara: buscar uma equipe multidisciplinar completa pode fazer toda a diferença no desenvolvimento da criança com TEA. A fisioterapia não deve ser vista apenas como um complemento, mas como uma peça fundamental do tratamento.

As intervenções fisioterapêuticas mais eficazes incluem:

  • Hidroterapia: Aproveita as propriedades da água para estimulação motora, desenvolvimento sensorial e fortalecimento muscular
  • Hipoterapia: Utiliza cavalos para desenvolver força, coordenação motora e correção postural
  • Atividades físicas estruturadas: Corrida, artes marciais e outras atividades que reduzem comportamentos repetitivos
  • Terapia de brincar: Promove comunicação, coordenação motora e expressão emocional

O estudo reforça a importância do diagnóstico precoce e da intervenção imediata. Quanto antes a criança começar o tratamento, maiores são as chances de desenvolvimento adequado e melhor qualidade de vida.

Para os profissionais de saúde, os resultados sugerem que a personalização do tratamento, considerando o perfil específico de cada criança, é essencial para o sucesso terapêutico. A colaboração entre fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos deve ser incentivada e estruturada.

Referência: Efficacy of physiotherapy with occupational and speech therapies in improving physical and behavioral outcomes among children with autism spectrum disorder. PubMed Central, 2025. DOI: PMC12512464

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