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Um estudo recente investigou a relação entre a disforia de gênero (DG) e a ocitocina (OXT), um neuromodulador crucial para a cognição e o processamento socioemocional. A disforia de gênero é caracterizada pelo desalinhamento entre a identidade de gênero de uma pessoa e o sexo que lhe foi atribuído ao nascimento. A pesquisa buscou entender melhor as bases neurobiológicas da DG, focando no papel da OXT e seus receptores (OXTR), já que alterações nos níveis de OXTR têm sido associadas a outros transtornos mentais, como transtornos obsessivo-compulsivos, esquizofrenia, depressão e autismo.

O estudo envolveu 18 mulheres transgênero (FtM), 11 mulheres transgênero que utilizavam testosterona (FtM-T) e 30 mulheres cisgênero como grupo de controle. Foram avaliados os níveis plasmáticos de diversos hormônios, incluindo OXT, estradiol, progesterona, LH, FSH, testosterona livre e testosterona total, através de ensaios imunoenzimáticos (ELISA). Além disso, a expressão de mRNA de OXTR no sangue total foi determinada por RT-qPCR.

Os resultados revelaram um aumento estatisticamente significativo nos níveis plasmáticos de OXT no grupo FtM em comparação com o grupo de controle cisgênero (P = 0.032). Adicionalmente, a expressão do gene OXTR foi significativamente maior no grupo FtM-T em comparação com o grupo cisgênero (P = 0.004). Esta é a primeira demonstração de níveis elevados de OXT no plasma de mulheres transgênero FtM e de expressão aumentada do gene OXTR em mulheres transgênero FtM-T, quando comparadas a mulheres cisgênero. Os achados deste estudo podem abrir novas abordagens para a compreensão dos mecanismos subjacentes à disforia de gênero, embora sejam necessários estudos adicionais para determinar se essas alterações hormonais contribuem para o desenvolvimento da DG ou se são uma consequência da sintomatologia.

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