Agitação em Pacientes com Demência em Cuidados Paliativos: Uma Revisão da Evidência Atual
A agitação é um dos sintomas comportamentais mais angustiantes em pacientes com demência que necessitam de cuidados paliativos. Esse sintoma afeta o conforto do paciente, aumenta o fardo sobre os cuidadores e prejudica a qualidade do cuidado no fim da vida. Embora tratamentos farmacológicos sejam frequentemente utilizados, a evidência que orienta seu uso seguro e eficaz nessa população ainda é limitada.
Uma revisão narrativa sistemática analisou estudos randomizados controlados (RCTs) que avaliaram intervenções para agitação em pacientes com demência elegíveis para cuidados paliativos. A pesquisa identificou apenas três estudos que atendiam aos critérios de inclusão: dois testaram intervenções não farmacológicas (Namaste e Balancing Arousal Controls Excesses) e um testou uma intervenção farmacológica (sertralina). Os resultados das intervenções não farmacológicas foram mistos, e o ensaio farmacológico não mostrou diferença entre o tratamento e o placebo. As limitações comuns incluíram tamanhos de amostra pequenos, falta de diversidade racial e de gênero e ausência de ambientes de cuidados paliativos domiciliares.
Essa revisão destaca uma lacuna crítica na evidência de alta qualidade e generalizável para orientar o manejo da agitação no fim da vida para pacientes com demência. Preencher essa lacuna é fundamental não apenas para melhorar o controle dos sintomas, mas também para preservar a dignidade e reduzir o sofrimento dos cuidadores em cuidados paliativos. Ensaios futuros devem incluir populações diversas, incorporar ambientes de cuidados paliativos domiciliares e avaliar rigorosamente intervenções farmacológicas e não farmacológicas para apoiar o cuidado compassivo e centrado no paciente. A necessidade de projetos de intervenção inclusivos e escaláveis para tratar a agitação no fim da vida é urgente, para garantir um tratamento mais humanizado e eficaz para esses pacientes.
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