Ataxia Espinocerebelar: Desvendando a Relação entre Cognição, Movimento e Desempenho Diário
A ataxia espinocerebelar (AEC) é um grupo de doenças neurológicas hereditárias que afetam o cerebelo, a parte do cérebro responsável pela coordenação e equilíbrio. Estudos recentes têm demonstrado que, além dos problemas de movimento característicos, a AEC também pode estar associada a déficits cognitivos, impactando a capacidade de raciocínio, memória e outras funções mentais. A Escala de Síndrome Cognitivo-Afetiva Cerebelar (CCAS-S) é uma ferramenta utilizada para medir essa disfunção cognitiva em pacientes com AEC.
Uma pesquisa recente investigou como o desempenho na CCAS-S se relaciona com o funcionamento cognitivo diário, os aspectos motores e não motores da AEC e fatores demográficos. O estudo envolveu participantes com AEC tipos 1, 2, 3 e 6, comparando seu desempenho na escala com grupos de controle pareados por dados demográficos. Adicionalmente, dentro do grupo com AEC, os pesquisadores analisaram as associações entre o desempenho e fatores como idade, nível de escolaridade, gravidade dos sintomas motores da ataxia, função psicomotora (medida por testes de digitação e tempo de reação) e autoavaliação da cognição, depressão, regulação emocional, função psicossocial e fadiga.
Os resultados revelaram que o desempenho na CCAS-S foi significativamente menor em indivíduos com AEC tipos 2, 3 e 6, em comparação com os controles. Curiosamente, houve uma variabilidade considerável no desempenho entre os participantes com AEC. O estudo também identificou correlações significativas entre o desempenho na escala e a gravidade dos sintomas motores da ataxia auto-relatados, a velocidade motora fina, a variabilidade psicomotora e uma das duas medidas de funcionamento cognitivo diário. Em contrapartida, não foram encontradas correlações significativas com idade, escolaridade, idade de início da doença, duração da doença, tempo de reação psicomotor, depressão, regulação emocional, função psicossocial ou fadiga. Esses achados sugerem que a função motora e a variabilidade psicomotora podem ser fatores mais importantes na variabilidade do desempenho cognitivo em pessoas com AEC do que fatores demográficos, fadiga ou função emocional. O estudo ressalta a importância da disfunção cognitiva como uma característica impactante em algumas formas de AEC e incentiva futuras investigações sobre os perfis de comprometimento cognitivo específicos da doença e de cada indivíduo dentro dessa população.
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