Tratamento de Fertilidade e Autismo: Há Relação?
Um estudo recente investigou a possível ligação entre tratamentos de fertilidade e o Transtorno do Espectro Autista (TEA), buscando esclarecer se existe uma associação real ou se outros fatores podem estar influenciando os resultados. Pesquisas anteriores sobre o tema apresentaram resultados variados, e um dos desafios é identificar se a infertilidade em si, ou o tratamento para ela, está relacionada ao desenvolvimento do TEA.
Para responder a essa pergunta, os pesquisadores analisaram dados do Estudo para Explorar o Desenvolvimento Precoce (SEED), um estudo caso-controle realizado nos Estados Unidos entre 2007 e 2020. O foco foi investigar se o uso de medicamentos indutores da ovulação e a tecnologia de reprodução assistida (TRA) estariam associados ao TEA em crianças de 2,5 a 5 anos. Uma parte importante da análise foi considerar um subgrupo de mulheres com infertilidade diagnosticada, para minimizar a influência de outros fatores que poderiam confundir os resultados. Foram levados em conta diversos fatores como idade, nível de escolaridade, índice de massa corporal (IMC) pré-gravidez, histórico de gravidez, tabagismo e pressão alta.
Os resultados do estudo indicaram que o tratamento de fertilidade, de forma geral, não esteve associado ao TEA. Especificamente, não houve ligação significativa entre o uso de medicamentos para induzir a ovulação e o desenvolvimento do transtorno. No entanto, ao analisar o grupo completo de participantes, notou-se uma ligeira tendência de aumento na probabilidade de TEA em casos de TRA e combinação de tratamentos, embora esses resultados não tenham se mantido estatisticamente significativos quando analisado o subgrupo com infertilidade feminina. Os autores do estudo enfatizam a importância de futuras pesquisas focarem em populações com características semelhantes para determinar se as associações observadas são realmente resultado dos tratamentos ou de outros fatores relacionados à infertilidade.
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