Arritmia Sinusal Respiratória: Um Elo entre Prematuridade, Autismo e Desenvolvimento Infantil?
A Arritmia Sinusal Respiratória (ASR) é um indicador crucial da função parassimpática e da capacidade de adaptação ao ambiente. Estudos anteriores já haviam associado uma ASR mais baixa em repouso a nascimentos prematuros e ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) na infância. No entanto, o desenvolvimento da ASR nos primeiros dois anos de vida em bebês prematuros ou diagnosticados posteriormente com TEA ainda era uma área pouco explorada.
Uma pesquisa recente acompanhou o desenvolvimento da ASR e do intervalo médio entre batimentos cardíacos (IBI) em 137 bebês, desde o primeiro até o 24º mês de vida. Os participantes foram divididos em grupos de risco elevado para TEA, baixo risco para TEA e bebês prematuros. Posteriormente, foram classificados de acordo com seu desenvolvimento: TEA, neurodivergente ou desenvolvimento típico. Os resultados mostraram que tanto a ASR quanto o IBI aumentaram em todos os grupos durante o período de estudo, com um crescimento mais acentuado nos primeiros seis meses.
Curiosamente, bebês prematuros apresentaram ASR e IBI mais baixos no início, mas se equipararam aos bebês de baixo risco para TEA quando a idade foi corrigida pela prematuridade. Já os bebês diagnosticados com TEA não mostraram diferenças iniciais na ASR, mas exibiram níveis elevados entre 9 e 24 meses, diferenciando-se dos bebês com desenvolvimento típico ou neurodivergente. Essa elevação na ASR em repouso em bebês com TEA pode refletir uma menor necessidade de monitoramento social, maior regulação atencional ou menor estresse em momentos de descanso, sem tarefas estruturadas. Esses achados contrastam com a ASR mais baixa observada em crianças mais velhas com TEA, sugerindo mudanças no funcionamento autonômico ao longo do desenvolvimento e a necessidade de mais estudos sobre a ASR como um biomarcador precoce para o TEA. Essas descobertas abrem novas perspectivas para a compreensão do desenvolvimento infantil e a identificação precoce de possíveis desafios. A ASR pode se tornar uma ferramenta valiosa no acompanhamento da saúde de bebês e crianças.
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