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A crise dos opioides, um problema de saúde pública global, tem impulsionado a busca por intervenções farmacológicas e comportamentais inovadoras. Uma pesquisa recente explora a possível utilização do metilfenidato (MPH), um estimulante conhecido por sua ação no sistema dopaminérgico, como um adjuvante no tratamento de pacientes que fazem uso de opioides. O estudo foca nas potenciais sobreposições entre os mecanismos neurobiológicos subjacentes ao Transtorno por Uso de Opioides (TUO) e o perfil farmacodinâmico do MPH, com ênfase em alvos moleculares compartilhados, considerações de segurança e implicações terapêuticas.

O desenvolvimento da dependência de opioides está intrinsecamente ligado à modulação da transmissão dopaminérgica na via mesocorticolímbica. Agonistas de receptores opioides, ao atuarem no sistema nervoso central, podem levar a um estado hipodopaminérgico e hiperadrenérgico, afetando o controle cognitivo, a regulação afetiva e a motivação. O metilfenidato, por sua vez, atua como inibidor da recaptação de dopamina e modulador do transportador vesicular de monoamina 2 (VMAT-2), aumentando a disponibilidade de dopamina no espaço extracelular e potencializando a sinalização dopaminérgica. Essa ação sugere que o MPH poderia auxiliar na restauração do tônus dopaminérgico em indivíduos com TUO.

Além disso, o metilfenidato tem demonstrado eficácia no tratamento do delirium hipoativo, uma condição caracterizada por diminuição da atividade psicomotora e alterações cognitivas, em pacientes com câncer terminal. Essa observação reforça a hipótese de que o MPH pode melhorar tanto a função cognitiva quanto o impulso psicomotor em outros contextos clínicos. Apesar das evidências promissoras, os pesquisadores enfatizam a necessidade de ensaios clínicos bem estruturados para identificar os subgrupos de pacientes que poderiam se beneficiar do tratamento adjuvante com MPH, avaliar sua eficácia e determinar o perfil de segurança a longo prazo do uso de estimulantes em pessoas com Transtorno por Uso de Opioides. Estudos futuros são cruciais para validar essa abordagem e garantir seu uso seguro e eficaz.

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